Get up, stand up: stand up for your laughs

fevereiro 6, 2009

 Enquanto eu ia escrevendo esse texto pude perceber como é complicada a tarefa de falar sobre algo que você não domina. Imaginei que umas olhadas na Wikipedia e mais algumas pesquisas rápidas me bastariam, mas conforme fui desenvolvendo a postagem só pude sentir vergonha de mim mesmo. Estava tão ruim, mas tão ruim, que pela primeira vez em séculos não fiquei puto ao descobrir que, graças a um daqueles problemas que só acontecem quando você tem apenas mais 10 minutos para entregar um trabalho, eu tinha perdido tudo. Bom,  talvez justamente por não ter  prazo nenhum posso dizer que o saldo foi positivo: consegui escrever um parágrafo inteiro sem dizer nada e enrolar vocês. To zoando.

 

Enfim, o título do tópico talvez tenha sido um dos trocadilhos mais bestas ‘que eu já fiz nos últimos tempos, mas tudo bem, o que importa é que ele expressa bem o que eu quero dizer.  O Stand-up Comedy já está presente em nosso país há algumas décadas e  quem começou a destrinchar esse caminho foram artistas que hoje são consagrados: José Vasconcellos, Chico Anysio e  Jô Soares.

Com nomes de peso assim, principalmente o último, qualquer um poderia imaginar que  estouraria rapidamente e seria mais popular do que dupla sertaneja em Goiás, mas não foi o que aconteceu. Por razões que eu desconheço o gênero não emplacou totalmente e ficou limitado a algumas poucas pessoas, mas recentemente isso mudou.

Surgiram grupos e mais grupos e grandes artistas foram se revelando. Vieram do stand-up os rapazes do CQC,  Marcelo Adnet, Dani Calabresa, e muitos outros. Esse sucesso na Tv fez com que o Faustão lançasse ano passado o quadro “Quem chega lá” onde comediantes de todo o país poderiam mostrar o seu trabalho através de uma competição. Muitos bons nomes, de vários estilos, se apresentaram, e apesar de não ter vencido um dos destaques foi o humorista carioca Marcos Castro e seus funks neuróticos.

Marcos cursou informática, viu que isso não levava a nada, se formou em Matemática Aplicada e hoje usa todos os conhecimentos adquiridos na faculdade fazendo shows de humor. Nada mais lógico. Começou, assim como muitos outros, a se apresentar  no Mico Aberto do Comédia em Pé, e posteriormente fundou o grupo Sindicato da Comédia, onde se apresenta até hoje.

Entrando em seu site, além de poder conferir a agenda do grupo e assistir mais vídeos dele e de todo o grupo, você pode usar sua criatividade para concorrer a ingressos para os shows que estão acontecendo semanalmente em Copacabana e no Centro do Rio de Janeiro. Se você não é do Rio, não desanime. O Marcos é muito aviadado há muito viajado, e assim como os outros integrantes do sindicato vive fazendo participações em shows por todo o país. Não faltrão oportunidades de assistí-los.

Confira em http://www.sindicatodacomedia.com ou clique no botão ali no nosso menu de links.

Por coincidência, um de nossos outros parceiros também é do mesmo ramo. Apesar de estar começando agora e ser uma pessoa fedorenta, Paulo Abelha também está exercendo o humor de cara limpa. Em seu blog, Abelha está traduzindo alguns textos de grandes ícones internacionais do Stand-up que falam justamente sobre as dificuldades e as técnicas na hora de montar seus textos e fazer as apresentações.

É válido tanto para quem é da área como para quem é apenas um curioso. Dêem uma conferida clicando aqui ou no menu de links ao lado.

Abaços.


Novo acordo ortográfico

fevereiro 2, 2009

pasquale_gran

Já faz alguns anos desde a primeira vez que eu ouvi falar sobre o novo acordo ortográfico. Inocente, achei que tudo mudaria para melhor, a começar pelo sumiço do trema. Não, nunca tive problemas com ele, mas objetivamente, para que cargas d`água ele servia vc ? Os fanáticos por gramática ,de bate-pronto, responderiam: ah, sem o trema não sabemos se estão falando a palavra cinquenta ou “cinkenta”.

Alguém aí, em sã consciência, já falou “cinkenta” ? Ou conhece qualquer palavra em que “os dois pontinhos no alto” fossem essenciais ? Pontos pros velhinhos da academia, mas foi só isso. Entrei em desespero ao descobrir as outras novidades. Sabem aquelas 3786 regras de acentuação que você, por mais que tenha se esforçado, nunca conseguiu aprender ? Já eram.

Sempre me lembro de um professor que falava sobre as mudanças de padrões promovidas pela IUPAC (a abnt da química, digamos assim). Dizia ele que, após ficarem doidões com tantos chás de camomila e biscoitos amanteigados, os velhinhos resolviam: “Vamos sacanear geral, muda aquela fórmula ali !” Acho que nesse acordo deve ter sido mais ou menos assim: “Aí,  tão ligados naquele Soletrando do narigudo ? Vamo ferrar geral !” E ferraram mesmo. Até o nosso blog que mal nasceu já está com o slogan ortograficamente errado. A  “Idéia” deixou de ter acento e agora não é mais boa.

Um dos responsáveis pelo acordo ortográfico em dia de folga

Um dos responsáveis pelo acordo ortográfico em dia de folga

  De qualquer jeito, no fim das contas vai ser uma questão de tempo até todos nos acostumarmos. Assim como hoje em dia estranhamos quando vemos, em escritos antigos, as palavras pharmácia, êle, telephone e cousa, também estranharemos as que hoje estão em vigência. Enquanto essa assimilação natural não acontece resta recorrer às gramáticas  que vão chegando ao mercado já atualizadas. A Folha de São Paulo, por exemplo, lançou em seu site, um guia com as principais mudanças.Vale a pena dar uma olhada.

Vai ser difícil, mas a gente consegue.

Abraços.


Primórdios do Samba – Parte 2 – Final

janeiro 30, 2009

Parte 1 – http://sofaltaonome.wordpress.com/2009/01/29/primordios-do-samba-parte-1/

Pelo Telefone

 

 

Apesar de já existirem outras composições com estruturas rítmicas semelhantes, “Pelo Telefone”, registrado por Donga e Mauro de Almeida, é a primeira música gravada sob a alcunha de samba.Este, inclusive, se assemelhava mais ao maxixe do que é considerado samba atualmente. O professor de etnomusicologia da UFPE, Carlos Sandroni, em Feitiço decente, aprofunda através de partituras o estudo dessas diferenças. Como não dispomos de espaço e não é de nosso interesse tal detalhamento, isso não será abordado.
Fato é que o samba de Donga estourou como sucesso popular e levou o novo estilo além da Casa de Tia Ciata e dos morros cariocas. Um pequeno parêntese: a importância de Hilária Batista de Almeida (a Tia Ciata) para o carnaval carioca foi tão grande que nos primeiros desfiles de escolas de samba era obrigatório passar em frente à sua casa, onde se reuniam aos finais de semana grandes nomes do samba, entre eles Donga.

Outros nomes que se destacaram como compositores dos sambas cantados no carnaval e fora dele foram Sinhô (“O rei do Samba”) e Pixinguinha. O samba ainda passaria por uma grande transformação, mas não deixaria nunca mais de figurar como o gênero de maior sucesso no carnaval.

Samba do Estácio

 Essas mudanças foram introduzidas nos anos 1930, por Ismael Silva e outros jovens compositores do Estácio, região onde predominava a comunidade negra na cidade do Rio de Janeiro.Eles fundaram o bloco Deixa Falar e introduziram novos instrumentos como o surdo e a cuíca, partindo do amaxixado anterior  para um ritmo mais adequado aos desfiles de carnaval.
É necessário ressaltar a importância de Francisco Alves, o Rei da Voz, para a divulgação desse novo estilo. Percebendo a aceitação que o mesmo vinha tendo, comprou direitos de autoria e gravou muitas das músicas do Deixa Falar. Emprestou um pouco de sua popularidade contribuindo ainda mais para a larga difusão que as rádios dariam ao ritmo.

 Disco de Francisco Alves e Mário Reis: Parte das composições de Ismael Silva e Noel Rosa
<http://capsuladacultura.com.br/blog/?p=922>.

Terminamos aqui nosso estudo sobre uma pequena parte da história do samba. Pequena porque a constante transformação a que ele está submetido impossibilita definir exatamente suas fronteiras.Transformou-se e virou partido alto, pagode, samba de breque, samba-exaltação e samba-enredo. Influenciou a bossa nova, e misturou-se a outros estilos dando origem ao que hoje chamam de samba-rap, samba-rock e samba-reggae.

 

E é essa capacidade de mutações e adaptações que talvez seja responsável por tornar verdade absoluta os versos de Nelson Sargento:

Samba, agoniza mas não morre

Alguém sempre te socorre

Antes do suspiro derradeiro

Samba, negro forte destemido

Foi duramente perseguido

Nas esquinas, no botequim, no terreiro

 

Samba, inocente pé no chão

A fidalguia do salão

Te abraçou, te envolveu

 

Mudaram toda a sua estrutura

Te impuseram outra cultura

E você nem percebeu

Bibliografia

SANDRONI, C. Feitiço decente. Transformações do samba no Rio de Janeiro (1917-1933). Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

TINHORÃO, Jose Ramos. Pequena historia da música popular: da modinha a canção de protesto. Petropolis: Vozes, 1974.

CABRAL, Sérgio. As escolas de samba do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Lumiar, 1996.

ICCA (Instituto Cultural Cravo Albin). Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira. Disponível em: <www.dicionariompb.com.br>

 


Primórdios do Samba – Parte 1

janeiro 29, 2009

Este artigo não tem a pretensão de ser um novo tratado sobre a história deste que talvez seja o maior representante da cultura brasileira no exterior. Pelo contrário, o objetivo é, aproveitando a proximidade do Carnaval, olhar de forma rápida os movimentos que deram origem ao samba.

Por Carlos Caroni

Não há certeza a respeito da data em que foi utilizado pela primeira vez em mídia impressa o termo “samba”. As diferentes versões compreendem um lastro de tempo que vai de 1832 até 1842. Apesar disso, não há dúvidas de que apareceu na revista O Carapuceiro, editada em Pernambuco pelo padre Lopes Gama.

Em seu texto, o padre escrevia contra o que chamava samba  d’ almocreve (almocreve era o serviçal que se ocupava de mulas e burros), denominação criada por ele para definir todos os estilos musicais da periferia, ignorando suas diferenças.

Consagrada a palavra, como dissemos, foi usada para denominar ritmos diversificados, em diferentes regiões do Brasil. Surgiriam o samba-lenço, o samba-duro e outros, até que a expressão se fixasse especificamente no ritmo característico do Rio de Janeiro.

O samba recebeu forte influência de ritmos da Bahia, devido à transferência de grande quantidade de escravos para as plantações de café no estado do Rio, tornando-se assim, cada vez mais, o que podemos chamar de “o verdadeiro ritmo nacional”.

Os dados sobre a origem do samba carioca, porém, são um pouco obscuros. A sociedade vivia um período de forte preconceito pós-abolição e as ações culturais negras, que mal tinham espaço para ser realizadas, eram pouco notadas pelos pesquisadores.

Na época, portar um violão era considerado crime. Sendo assim, aproveitando-se da ignorância dos fiscais da polícia que não sabiam distinguir uma manifestação da outra, a solução encontrada foi executar o samba após a realização de rituais religiosos nas casas de macumbas. Estas, apesar de também sofrer forte perseguição, possuíam licença legal para funcionar.

Mesmo assim, algumas vezes a estratégia não dava certo e os músicos eram encaminhados à delegacia. Sérgio Cabral, em seu livro As escolas de samba do Rio de Janeiro, reproduz trecho de samba de Juvenal Lopes – ex-presidente da mangueira – a respeito do delegado Abelardo da Luz, do 23º Distrito:

Cruz credo
Credo em Cruz
Aí vem o delegado
Abelardo da Luz

PARTE 2 – http://sofaltaonome.wordpress.com/2009/01/30/primordios-do-samba-parte-2-final/


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